Defensivo chinês na mira da Camex
Ontem, sexta-feira (06/11), a soja fechou a semana com queda nos preços físicos de várias praças, e o milho teve em outubro o melhor mês de exportação de 2026, ainda abaixo do ritmo de 2025. A indústria de defensivos pediu à Camex imposto de até 35% sobre produtos importados, e a China já responde por quase metade do valor desses itens. O destaque para o fim de semana é o Sul, onde uma frente fria traz temporais, chuva acima de 50 mm e risco de novos tornados.
O mesmo pacote de insumos, R$ 884 mil de diferença numa safra
Nos dados do Aegro Insights, a distância entre comprar bem e comprar mal o mesmo pacote de insumos da safrinha chegou a R$ 884 mil em uma fazenda de 1.000 hectares. Quem comprou bem pagou R$ 1.483 por hectare, o comprador médio pagou R$ 1.900 e quem comprou mal pagou R$ 2.367.
A lista de insumos era a mesma, no mesmo trimestre e na mesma macrorregião, e a diferença entre os extremos foi de 60%. O recorte, do Panorama Safrinha 2026, de maio, reúne 633 safras em 521 fazendas, com 470 mil hectares em MT, MS, GO, PR e MG, a partir de notas fiscais reais.
Quem ficou na faixa de quem comprou mal costuma ter um único fornecedor e fechar em uma só cotação. Essa janela existe em qualquer fazenda, porque depende de processo e não de tamanho. Cotar mais de uma vez antes de fechar é o que separa os R$ 1.483 dos R$ 2.367.
Defensivo chinês na mira da Camex e milho acelera no porto
A indústria de defensivos pediu à Camex, em outubro, imposto de importação de até 35% sobre produtos formulados, com os genéricos chineses no alvo. O Sindiveg protocolou quatro pedidos, e a Abifina quer até 10% sobre herbicidas e um inseticida, entre eles o 2,4-D e o glufosinato, usados na soja. Em quatro dos seis códigos visados a alíquota hoje é zero, e a China foi de 10,5% do valor importado nesses itens, em 2020, para 48,8% nos dados de janeiro a setembro. Por enquanto são pedidos, não decisão, mas quem vai comprar defensivo para a safra 26/27 já tem motivo para guardar as cotações de agora.
O Brasil embarcou 5,69 milhões de toneladas de milho em outubro, o melhor mês de 2026, mas 12,4% abaixo de outubro de 2025. O preço médio, perto de US$ 234 por tonelada, subiu 13% e segurou a receita em US$ 1,33 bilhão, queda de só 1%. De fevereiro a outubro foram 21,15 milhões de toneladas, 19,3% menos que no ciclo anterior, e a projeção da Conab exigiria 7,6 milhões por mês entre novembro e janeiro, ritmo recorde. Se o embarque ficar abaixo disso, o milho que sobra pesa no preço.
As importações de fertilizantes fecharam outubro em 4,26 milhões de toneladas, 2,7% acima de outubro de 2025, depois de um setembro 24,5% mais fraco. No acumulado até setembro, o país ainda tinha comprado 5,26 milhões de toneladas a menos que um ano antes, e a alta de outubro pode ser só compra adiada que chegou. Quem ainda não fechou o adubo da próxima safra precisa checar o preço antes de assumir que o mercado aliviou.
No Sul, uma frente fria deve levar temporais a partir deste sábado (07/11), com 50 a 70 milímetros no norte gaúcho, em Santa Catarina e no oeste do Paraná, granizo e possibilidade de novos tornados. Desde domingo (01/11), os temporais afetaram 123 municípios gaúchos e 109 catarinenses, com ao menos quatro mortes sob investigação. O plantio de soja em Santa Catarina estava em 20,2% em 24 de outubro, abaixo dos 22,1% do ano passado, e a lavoura recém-emergida e o trigo por colher sentem mais esse fim de semana.
O Aegrozap agora responde sobre o clima da fazenda
No Aegrozap, pelo WhatsApp, dá para perguntar a previsão do tempo da fazenda e consultar quanto choveu no mês ou na safra.
Também dá para registrar a chuva na hora, escrevendo algo como "choveu 20 mm hoje". O registro aparece no painel de clima do Aegro, no computador.
Com o Sul em alerta de temporal neste fim de semana, quem anota a chuva no dia deixa o histórico da safra no mesmo lugar do custo e das atividades.
2026 é o ano-teste, e ele termina em dezembro
Durante 2026, IBS e CBS rodam em alíquotas de teste, só para calibrar o sistema. A apuração é informativa, sem recolhimento de verdade.
É a janela para acertar cadastro, NCM e emissão sem susto, porque em 2027 a cobrança fica real. Use o que falta de 2026 para chegar em janeiro com a casa arrumada.
Destaques Soja e Milho
Milho
O CEPEA/ESALQ subiu 0,20% na quinta (05/11), a R$ 66,60 por saca. No físico de ontem, Paranaguá ficou em R$ 69,00 e Campinas/SP em R$ 66,00 (-1,49%), contra R$ 42,30 em Sorriso/MT (-0,47%), uma diferença de R$ 26,70 por saca entre o porto e o norte de Mato Grosso. No IMEA, Lucas do Rio Verde pagou R$ 41,30 e Rondonópolis, R$ 45,20. O contrato de janeiro na B3 fechou ontem a R$ 71,14, R$ 4,54 acima do indicador de quinta. Com o embarque de outubro 12,4% abaixo do de 2025, o porto segue pagando bem mais que o interior, e é o frete que decide quanto desse preço chega na fazenda.
Soja
O CEPEA/ESALQ em Paranaguá subiu 0,23% na quinta, a R$ 158,53 por saca, e ontem Rio Grande (R$ 161,00) e Paranaguá (R$ 160,00) ficaram estáveis, enquanto Campo Grande/MS recuou 2,82%, a R$ 138,00. Em Chicago, a soja fechou a quinta a US$ 11,81, o menor valor desde agosto, e o negócio físico em Mato Grosso ficou praticamente parado.
Entre Paranaguá e Sorriso/MT (R$ 134,85), a soja tem R$ 25,15 de diferença por saca, e o milho, R$ 26,70. Nos dois grãos, quem calcula o frete antes de fechar sabe o preço real da fazenda.