Soja 26/27: área cresce só 1,4%
O fim de semana passou sem pregão no físico, e a semana abriu com Chicago dividida: a soja de novembro estava estável, em US$ 12,61 por bushel, e o milho de dezembro abriu em queda, a US$ 4,73. O plantio da soja chegou a 30,38% da área, contra 22,80% no mesmo ponto de 2025, e a Conab projeta 181,6 milhões de toneladas na safra 26/27, novo recorde. O destaque do dia é a FMC, que vai baixar o preço de defensivos que já estão nos distribuidores.
Nenhum fertilizante voltou ao preço de antes da crise
No recorte do Aegro Insights, nenhum dos principais fertilizantes voltou ao patamar anterior à crise. Contra 2019, o MAP acumula alta de 141% e está apenas 11% abaixo do pico de 2022, e a ureia segue 99% acima. O KCl foi o que mais corrigiu: está 47,5% abaixo do pico, estável entre R$ 2.700 e R$ 2.800 por tonelada, mas ainda 47% acima de 2019.
Na safra 25/26, o mesmo fertilizante teve preços muito diferentes. O MAP foi de R$ 3.090 a R$ 7.128 por tonelada (130,7% de variação), com média de R$ 4.908, e a ureia foi de R$ 2.050 a R$ 4.711 (129,8%). Em 200 toneladas de MAP, a diferença entre o menor e o maior preço chega a R$ 807.600.
A região também pesa. O KCl custou R$ 2.426 por tonelada no Maranhão e R$ 2.900 em Minas Gerais, 19,6% de diferença. A ureia foi de R$ 2.831 no Maranhão a R$ 3.719 no Pará, 31,3%, quase R$ 900 por tonelada. Antes de fechar o adubo da próxima safra, compare a cotação com a faixa que outros produtores pagaram: o preço do fornecedor de sempre mostra só um ponto dela.
Plantio da soja passa de 30% e a Conab vê safra recorde
O plantio da soja chegou a 30,38% da área do país, segundo a Pátria Agronegócios, em levantamento divulgado na sexta (16/10), contra 22,80% no mesmo ponto de 2025 e média de 21,28% das últimas cinco safras. Mato Grosso, Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul puxaram o avanço da semana, enquanto o Paraná andou pouco por causa do excesso de chuva. Para o fim de semana, o Inmet previa frente fria no Sul e chuva firme no Sudeste, no Centro-Oeste e no Matopiba. Quem planta no Sul confere a janela da cultivar antes de decidir por replantio.
A Conab divulgou na quinta (15/10) o primeiro levantamento da safra 26/27: 367,1 milhões de toneladas de grãos (+1,4%) e 181,6 milhões de toneladas de soja (+0,7%), novo recorde. A área de soja sobe 1,4%, para 49,3 milhões de hectares, a menor expansão em 20 anos. Hoje a Cepea aponta a produção recorde como o peso sobre as cotações da soja, e parte dos produtores recuou do spot por receio do El Niño. Na hora de decidir área e insumo, a régua é a margem por hectare.
Chicago reabriu a semana dividida. A soja de novembro operava estável, em US$ 12,61 por bushel, com a China de volta ao mercado americano: o USDA confirmou na sexta vendas de 558 mil toneladas, e o total anunciado em três dias chegou a 1,358 milhão. O milho de dezembro abriu em queda, a US$ 4,73, depois de perder até 1,69% na semana passada, com a produção americana estimada em 407,28 milhões de toneladas. Na B3, o milho de novembro fechou sexta a R$ 66,57, 3,10% abaixo da semana anterior.
Nos insumos, a FMC revisou a projeção do terceiro trimestre para receita de US$ 65 milhões a US$ 125 milhões, queda de 76% a 88% sobre 2025, e anunciou medidas para baixar o preço de produtos que já estão nos distribuidores, incluindo o Brasil. O desconto mira o estoque do canal, então chegar ou não à ponta depende de cada revenda: quem compra defensivo para 26/27 pede cotação nova a mais de um fornecedor antes de fechar.
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Destaques Soja e Milho
Soja
A oferta ampla de 26/27 segue pesando na soja: o CEPEA/ESALQ de Paranaguá fechou sexta (16/10) a R$ 154,61 por saca (-0,06%). No físico de sexta, Paranaguá pagou R$ 157,00, Sorriso/MT R$ 135,70 (-0,37%) e Rio Verde/GO R$ 133,00, estável. Em Chicago, o novembro caiu 0,14% na sexta, a US$ 12,61 por bushel, e abriu hoje sem mudança.
Milho
A oferta também domina o milho: o CEPEA/ESALQ fechou sexta (16/10) a R$ 64,85 por saca (+0,06%), quase parado, mas a Cepea relata compradores retraídos e preços pressionados na maior parte das praças. No físico de sexta, Campinas/SP pagou R$ 65,00 (-1,52%), Sorriso/MT R$ 46,20 (-1,07%) e Paranaguá R$ 70,00, sem variação. Na B3, o contrato de novembro fechou a R$ 66,57, 3,10% abaixo da semana anterior.
O spread entre o porto e o interior segue largo: R$ 21,30 por saca na soja (Paranaguá contra Sorriso) e R$ 23,80 no milho, e é o frete que mostra se compensa levar o grão até o porto nesta semana.