Milho cai 2,61% e o diesel preocupa
A quarta-feira trouxe uma notícia de custo e outra de preço. A Agência Internacional de Energia falou em escassez de diesel até boa parte de 2027, e o ministro da Agricultura minimizou o risco de desabastecimento no Brasil. No mercado, o CEPEA do milho recuou 2,61% na terça (13/10), a R$ 65,59 por saca, e o contrato de novembro na B3 caiu 2,18% ontem. A soja perdeu terreno em Chicago mesmo com nova venda de 470 mil toneladas dos EUA à China. O destaque que vale a leitura é o ponto de equilíbrio da soja: subiu de 28 para 47 sacas por hectare entre a 20/21 e a 23/24.
Para pagar a conta, a soja passou de 28 para 47 sacas por hectare
Na safra 20/21, o ponto de equilíbrio da soja estava em 28 sacas por hectare, e a margem chegou a 28,4 sacas, a melhor da série. Na 22/23, o equilíbrio saltou para 46,6 sacas, com custo alto e preço em queda.
Na 23/24, ele ficou em 47 sacas, e a margem encolheu para 6,4 sacas por hectare, a menor da série. Na 24/25, com o equilíbrio em 44 sacas e produtividade de 64,5 sacas por hectare, sobram cerca de 20 sacas, a R$ 120 a saca.
A produtividade ficou entre 58 e 65 sacas por hectare nesse período, mas a margem real encolheu porque o preço caiu e o custo em sacas subiu. Antes de definir área e orçamento da próxima safra, calcule o seu ponto de equilíbrio em sacas, não só em reais. É ele que mostra quanto da colheita já está comprometida com o custo.
Diesel preocupa até 2027, soja cai em Chicago mesmo com a China
O diesel voltou à mesa ontem. A Agência Internacional de Energia avisou que a escassez pode se estender por boa parte de 2027, e o ministro da Agricultura minimizou o risco de desabastecimento no Brasil. Com o plantio de soja em andamento, a conta do combustível pesa no custo por hectare da próxima safra. Produtor com máquina rodando confere o estoque da fazenda e o prazo do fornecedor antes de depender de entrega de última hora.
A soja ampliou perdas em Chicago ontem: o contrato de novembro recuou 6,5 centavos, a US$ 12,77 por bushel, com o óleo caindo mais de 1%. Isso aconteceu no mesmo dia em que o USDA anunciou nova venda de 470 mil toneladas aos chineses, sinal de que a compra da China sozinha não segurou o preço. Em Mato Grosso, as exportações de soja caíram 49,71% em setembro. Quem tem soja para entregar compara o porto, que pagou R$ 157,00 em Paranaguá ontem, com o indicador CEPEA de terça, R$ 154,15, antes de fechar.
O El Niño registrou em setembro a segunda maior anomalia para o mês, e a previsão é de pico em novembro. Ontem, temporais atingiram Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, enquanto em Campo Novo do Parecis (MT) o plantio da soja segue atrasado, o que ameaça a área de milho safrinha. Quem plantou tarde em Mato Grosso já conta a janela do milho em dias, e o produtor do Sul confere o que a chuva forte fez na lavoura.
No lado da compra, o produtor está segurando o bolso: a carteira de sementes de soja da Boa Safra caiu 12% com o adiamento de pedidos. Adiar a compra preserva o caixa agora, mas encurta o prazo para negociar preço e escolher a variedade. Antes de empurrar o fechamento, confira quanto cada insumo pesa no orçamento.
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Destaques Soja e Milho
Milho
O milho teve o dia mais pesado: o CEPEA/ESALQ recuou 2,61% na terça (13/10), a R$ 65,59 por saca, e o contrato de novembro na B3 perdeu 2,18% ontem, a R$ 67,45. No físico de ontem, Campinas/SP ficou em R$ 66,00, Rio Verde/GO em R$ 54,00 e Sorriso/MT em R$ 46,30 (+0,65%), enquanto Paranaguá/PR pagava R$ 70,00 (+1,45%). A diferença de R$ 23,70 por saca entre Sorriso e Paranaguá segue larga, e o frete decide quanto dela fica com o produtor de Mato Grosso. A oferta americana alta pesa em Chicago, e as vendas externas do milho brasileiro andam devagar. Quem tem milho para entregar compara o porto com o balcão interno antes de fixar.
Soja
O CEPEA/ESALQ de Paranaguá fechou terça (13/10) a R$ 154,15 por saca (-0,39%). No físico de ontem, Paranaguá pagou R$ 157,00, Sorriso/MT R$ 136,60 (-0,51%) e Rio Verde/GO R$ 133,00.
Na conta da semana, o frete até o porto e o ponto de equilíbrio de 44 sacas por hectare da 24/25 decidem quanto do preço de Paranaguá sobra na ponta.