Soja embarca mais, milho não
A terça-feira trouxe a primeira cotação de praça depois do feriado, e os embarques mexeram mais com o mercado do que o preço. A média diária de exportação de soja subiu 11,7% em outubro, enquanto a do milho está 16,3% abaixo da de outubro de 2025. Em Chicago, a soja de novembro recuava ontem à tarde a US$ 12,84 por bushel, com o farelo perdendo quase 2%. No café, Nova York voltou a rondar os 300 centavos de dólar, e o destaque que vale a leitura é o custo da soja: 19% abaixo do pico, mas ainda longe de onde começou.
O custo da soja caiu 19% desde o pico, mas segue alto
O custo operacional da soja (COE) bateu em R$ 6.388 por hectare na safra 22/23, puxado pelos fertilizantes (+131%) e pelo câmbio. Desde então, caiu para R$ 5.249 na 24/25 e para R$ 5.155 na estimativa da 25/26, 19,3% abaixo do pico.
Mesmo assim, ainda é 93% maior que os R$ 2.671 de 18/19. E a média esconde a distância entre os estados: na 24/25, o Rio Grande do Sul operou com R$ 4.506 por hectare (35,3 sacas), e Minas Gerais, com R$ 6.017 (50,1 sacas). São cerca de 13 sacas de diferença por hectare.
Depois de duas safras de queda, o custo se estabilizou. Quem quer margem maior precisa buscar o ganho na própria compra, e isso começa em saber quanto cada insumo pesa no seu COE. Antes de fechar o orçamento da próxima safra, compare o seu custo por hectare com o da sua região.
Soja embarca mais, milho e carne bovina perdem ritmo
Os embarques de outubro abriram em ritmos opostos, segundo o Notícias Agrícolas. A média diária de exportação de soja subiu 11,7%, e a receita diária, 26%. No milho, a média diária está 16,3% abaixo da de outubro de 2025, depois de um setembro fraco. A carne bovina começou o mês com ritmo quase 40% menor, enquanto aves e suínos avançam. Porto movimentado segura o físico da soja, e porto lento deixa o milho mais dependente do balcão interno.
Em Chicago, a soja de novembro recuava ontem à tarde a US$ 12,84 por bushel (-0,31%), com o farelo perdendo quase 2%. O milho fechou com leves quedas, e a B3 foi na direção contrária: o contrato de novembro subia 0,41%, a R$ 68,98 por saca. O CEPEA/ESALQ da soja em Paranaguá segue no último dado, de sexta (09/10), a R$ 154,75 por saca (-0,10%), e o porto pagava R$ 157,00 ontem. Quem vende soja compara a oferta do porto com o indicador de sexta antes de fechar.
O café arábica em Nova York subiu 0,90% ontem à tarde, a 293,20 centavos de dólar por libra no contrato de dezembro, e voltou a rondar os 300 cents, com a preocupação de oferta como pano de fundo. No físico, Guaxupé/MG pagava R$ 1.616,00 por saca, Patrocínio/MG R$ 1.605,00 e Varginha/MG R$ 1.600,00 (+3,23%), acima do CEPEA/ESALQ de sexta, R$ 1.531,88 (-0,85%). Quem tem lote para vender vê o físico acima do indicador, e a conta por saca muda com Nova York perto dos 300.
No boi gordo, o contrato de outubro na B3 marcava ontem R$ 389,30 por arroba (+0,15%), contra R$ 377,80 da média Cepea em São Paulo. A leitura do mercado é positiva para a arroba, com o futuro perto de R$ 400 no fim do ano, mas com alerta para a concentração de oferta. Quem tem boi para entregar no fim do ano olha a distância entre o físico e o futuro.
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Destaques Soja e Milho
Soja
Os embarques puxam a soja: a média diária de exportação subiu 11,7% em outubro. O CEPEA/ESALQ de Paranaguá ficou em R$ 154,75 por saca (-0,10%) na sexta (09/10) e, no físico de ontem, Paranaguá pagou R$ 157,00, Rio Grande/RS R$ 157,00 e o Oeste da Bahia R$ 142,00. Em Chicago, o novembro recuava ontem a US$ 12,84 por bushel (-0,31%).
Milho
Os embarques também explicam o milho, só que no sentido oposto: a média diária de outubro está 16,3% abaixo da de outubro de 2025. O CEPEA/ESALQ fechou sexta a R$ 67,35 por saca (+0,25%). No físico de ontem, Paranaguá pagou R$ 69,00, Campinas/SP R$ 66,00 e Machado/MG R$ 64,00, e o contrato de novembro na B3 subiu 0,41%, a R$ 68,98.
Quem vende soja compara o frete até o porto com os R$ 15,00 de diferença entre Paranaguá e o Oeste da Bahia, e quem tem milho confere o balcão interno antes de contar com o porto. O custo por hectare da soja, em R$ 5.155 na estimativa da 25/26, é a parte da margem que a sua cotação controla.