Sul encharcado, MT no seco: soja
O fim de semana mexeu com o mercado mesmo sem pregão. No domingo, o primeiro turno da eleição presidencial terminou com Flávio Bolsonaro (PL) em 47,03% dos votos válidos e Lula (PT) em 45,16%, e o segundo turno ficou marcado para 25 de outubro. Quem vende soja e milho tem uma pergunta hoje, o câmbio, que o mercado espera ver mais favorável ao real na reabertura. No campo, a chuva seguiu forte no Sul e o Mato Grosso chegou a 10,23% da soja semeada, abaixo do ritmo do ano passado. A última rodada de negócios, na sexta, tinha deixado soja e milho em queda em Chicago.
A diferença de preço do insumo é regra, não exceção
No panorama de maio de 2026, a Aegro cruzou notas fiscais reais de 633 safras em 521 fazendas de MT, MS, GO, PR e MG, dos seis meses anteriores. O resultado: 9 dos 13 insumos do pacote da safrinha de milho tiveram mais de 60% de diferença entre o melhor e o pior preço pago, no mesmo trimestre e no mesmo estado.
O Hero, da FMC, foi o mais disperso, com 91,7%. Depois vieram o Kraton, com 72%, o Engeo Pleno S e o Abacus HC, com 71% cada, e o Exalt, com 70%. Os inseticidas concentram as maiores diferenças: é produto comprado em volume, com janela curta de aplicação, e quem compra apressado quando a praga aparece paga mais.
Com o herbicida já dando sinal de alta para a safra 2027/28, cotar o mesmo produto com mais de um fornecedor antes da janela de aplicação é a forma mais direta de ficar na ponta baixa dessa diferença.
Eleição mexe com o dólar e a chuva no Sul atrasa o plantio
O primeiro turno da eleição presidencial terminou no domingo com Flávio Bolsonaro (PL) em 47,03% dos votos válidos e Lula (PT) em 45,16%, e o segundo turno é em 25 de outubro. O mercado financeiro espera hoje bolsa em alta, juros futuros em queda e dólar mais fraco, depois de a moeda fechar a sexta a R$ 5,22 (-0,08%), segundo a InfoMoney e a Notícias Agrícolas. Quem tem soja e milho para precificar em reais confere o câmbio de hoje antes de fechar negócio.
A chuva forte voltou ao Sul, e o Agrolink fala em temporais por nove dias seguidos, com o Rio Grande do Sul em alerta para até 90 mm. O excesso de umidade já vinha reduzindo o plantio de milho e parando a semeadura de arroz no estado. Quem planeja a semeadura no Sul precisa contar com mais dias parados no calendário do que a média.
No Mato Grosso, o problema é o contrário. O Imea mostrou 10,23% da soja 26/27 semeada até sexta, 6,36 pontos percentuais a mais que na semana anterior, mas 4,79 pontos abaixo do mesmo momento da safra passada, com a umidade do solo ainda irregular. Quem planeja a safrinha de 2027 depois da soja precisa medir quanto esse atraso empurra a colheita.
O glufosinato, herbicida usado em várias lavouras, subiu forte em 30 dias na China, principal fornecedora do princípio ativo, e acendeu o alerta de preço para a safra 2027/28, segundo o Agrolink. Os defensivos em geral seguem favoráveis ao produtor, mas quem pensa em antecipar a compra já tem um número para comparar.
Pedido de Compra importa o XML da nota
No Aegro, o Pedido de Compra permite importar o XML das notas fiscais vinculadas ao pedido, sem digitar item por item. Está disponível nos planos Avançado e Premium.
Quando a compra chega em remessas, dá para registrar cada entrega com destino diferente por item, com uma parte do produto indo para um depósito e outra para outro.
Assim o pedido acompanha o que foi comprado e o que já chegou em cada lugar, e a conferência com o fornecedor parte do mesmo registro.
O que entra como crédito de IBS e CBS
Quem é contribuinte de IBS e CBS, o que é obrigatório acima de R$ 3,6 milhões de faturamento e opcional abaixo disso, gera crédito com máquinas, arrendamento, frete de insumos, serviços contratados, combustível da operação e energia.
Tudo precisa estar com NF-e idônea, no nome da operação rural. Despesa pessoal misturada com a fazenda fica de fora.
Separe as contas da fazenda das da família antes de começar a apurar.
Destaques Soja e Milho
Soja
O câmbio de hoje é o tema da soja na reabertura. O dólar fechou a sexta a R$ 5,22 (-0,08%) e o mercado espera o real mais forte nesta segunda, o que reduz o preço da saca em reais se Chicago não compensar. O novembro fechou a US$ 12,78 por bushel (-0,45%). O CEPEA/ESALQ de Paranaguá ficou em R$ 159,94 (-0,60%) e o do Paraná em R$ 154,10 (-0,16%), e o CEPEA descreve nesta segunda recuo no Brasil e nos EUA, com liquidez menor no mercado spot. No físico de sexta, Paranaguá pagou R$ 160,00, Brasília R$ 147,00 e Castro R$ 146,00.
Milho
No milho, quem pesa mais ainda é a bolsa: Chicago acumulou perda perto de 6% na semana depois do relatório de estoques do USDA, e o dezembro fechou a sexta a US$ 4,98 por bushel (-0,90%). Na B3, o novembro caiu 0,72%, para R$ 71,67, e o janeiro 0,20%, para R$ 76,35. O CEPEA/ESALQ fechou a sexta em R$ 68,53 (-0,07%) e hoje aponta compradores evitando novas compras. No físico, Paranaguá pagou R$ 72,00, Campinas R$ 68,00 e Machado R$ 65,00.
Com o dólar no centro da reabertura e o comprador de milho afastado, o preço que conta na decisão da semana é o da sua praça de entrega, conferido depois que o câmbio abrir.