Seguro rural virou lei: o que muda
A quarta-feira foi de relatório e de lei nova. O estoque de milho dos Estados Unidos veio 35% maior que há um ano, o maior em sete anos, e o grão caiu 4% em Chicago e 3% na B3 no mesmo dia. Em Brasília, o seguro rural virou lei, com subvenção obrigatória e dois vetos. No Sul, o temporal chegou em cima do plantio. E a base Aegro mostra quantas sacas a compra mal feita de insumo leva agora que o milho ficou mais barato.
Milho mais barato deixa a compra mal feita mais cara
Na safrinha de milho 2026, quem comprou mal o pacote de insumos pagou R$ 884 a mais por hectare do que quem comprou bem, pela mesma lista de produtos. O número sai de notas fiscais reais de 633 safras em MT, MS, GO, PR e MG, cruzadas com as doses típicas da cultura. Na época do estudo, com o milho a R$ 52,40 em Sorriso, essa diferença equivalia a 16,9 sacas por hectare.
Ontem, a saca em Sorriso fechou em R$ 48,90. Pela mesma conta, os R$ 884 passam a valer cerca de 18 sacas por hectare, perto de 17% de uma produtividade de 105 sacas. Numa fazenda de 1.000 hectares, são mais de 18 mil sacas entregues ao fornecedor antes de a plantadeira sair do barracão.
Quando o preço do grão cai, cada real pago a mais no insumo custa mais sacas. Isso não depende do tamanho da fazenda nem do quanto ela colhe, e sim de fechar a compra com referência de preço da região. Com as compras da safrinha 2027 começando, é agora que se decide em qual das faixas a sua fazenda vai cair.
Seguro rural vira lei e o temporal chega ao plantio
O seguro rural ganhou lei nova, publicada ontem no Diário Oficial. A subvenção ao prêmio passa a ser despesa obrigatória da União, a indenização ganha prazo definido e a apólice passa a contar como garantia no crédito rural. Também nasce um fundo para cobrir catástrofe climática. Dois trechos foram vetados, entre eles a isenção de todos os tributos federais sobre o seguro, e as entidades do setor já falam em derrubar o veto no Congresso. A cobertura caiu de 16,3% da área plantada em 2021 para 3,3% em 2025, em anos de corte na verba, e decretos, resoluções do Conselho Monetário e o estatuto do fundo ainda precisam sair. Quem vai contratar seguro para a soja agora deve perguntar ao corretor o que da lei já vale na apólice.
Ontem, o Inmet mantinha alerta laranja numa faixa que vai de Santa Catarina e Paraná a São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, com previsão de até 100 milímetros num dia, rajadas de 100 km/h e granizo em pontos isolados. No Rio Grande do Sul, a Defesa Civil já contava mais de 54 mil pessoas atingidas pelo temporal. No Paraná, com 28% da soja semeada no último levantamento, o risco está na lavoura recém-emergida. No Mato Grosso, a mesma frente traz a chuva que o plantio esperava.
Um segundo levantamento de preço de combustível, divulgado ontem, mostra o diesel em 12 meses: o S-10 subiu 15,1% e fechou setembro a R$ 7,10 o litro, em média, 2,2% acima de agosto. A gasolina recuou 0,2% no mês. Quem fechou o custo de máquina da safra 26/27 olhando o diesel do ano passado está com a conta curta.
Foto do recibo vira despesa lançada
A inteligência artificial do app Aegro Negócios lê a foto de um recibo ou de uma nota e preenche o lançamento de despesa: fornecedor, valor total e conta.
Na correria do plantio, o recibo do posto ou da loja de peças vira lançamento ali mesmo, sem digitar e sem papel esquecido no painel da caminhonete.
Por enquanto, a leitura vale só para despesas. Receitas seguem no lançamento normal. Confira o que foi preenchido antes de salvar.
Diferimento dos insumos protege o caixa
Fertilizante, defensivo e semente não cobram IBS e CBS na hora da compra. O imposto fica diferido, ou seja, suspenso, e o acerto acontece depois, quando você vende a safra.
Na prática, o caixa não perde fôlego no plantio, justo quando a compra de insumo da safrinha 2027 começa a ser fechada.
O benefício só funciona se o fornecedor classificar o produto corretamente na nota. Confira com ele e com o seu contador antes de fechar o pedido.
Destaques Soja e Milho
Milho
O relatório de estoques do USDA pegou o milho de surpresa ontem. Os Estados Unidos tinham 2,095 bilhões de bushels em 1º de setembro, cerca de 53 milhões de toneladas, 35% a mais que um ano antes e o maior volume em sete anos, uns 4 milhões de toneladas acima do que o mercado esperava. Chicago reagiu na hora: o dezembro fechou em US$ 5,00 por bushel, queda de 4,07%, e terminou setembro 6,88% abaixo. Na B3, novembro caiu 3,04%, para R$ 72,03, e março perdeu 3,16%, para R$ 78,70. O físico segurou melhor: Campinas pagou R$ 68,00 (-1,45%), Castro R$ 64,00 (-1,54%) e Sorriso subiu para R$ 48,90 (+0,82%), com o CEPEA/ESALQ de terça em R$ 69,20 (-0,40%). Quem usa a B3 como referência para travar a safrinha 2027 viu essa referência recuar mais de R$ 2 por saca num único pregão.
Soja
Na soja, o estoque americano veio 3% menor que há um ano e abaixo do esperado, mas o contrato de novembro fechou ontem em US$ 12,93 por bushel (-4,75 pontos), com o dólar a R$ 5,18 (-0,80%). O físico ficou firme: Rondonópolis pagou R$ 148,00, Sorriso R$ 140,00 (+0,29%), e o CEPEA/ESALQ de Paranaguá de terça marcou R$ 161,27 (+0,52%).
Com o milho de Sorriso a R$ 48,90, os R$ 884 por hectare que separam a compra boa da ruim no Aegro Insights já valem 18 sacas. Nesta semana, a conta que protege a margem da safrinha 2027 é colocar lado a lado o preço de trava na B3 e o custo do pacote de insumos antes de fechar qualquer um dos dois.