Colheu 6% mais e lucrou menos
A semana começou com a soja apanhando em Chicago. O contrato de novembro fechou ontem em US$ 12,88 por bushel, 30,75 pontos abaixo da sexta, com os fundos vendendo depois do acordo entre China e Estados Unidos que deixou o grão de fora, e o dólar subiu para R$ 5,22. No adubo, o potássio caiu quase 10% em nove semanas enquanto a ureia subiu perto de 20%, e o Sul se prepara para um ciclone que pode despejar mais de 200 mm. E um dado da base Aegro mostra que colher mais não garantiu margem maior na última safra de soja.
Safra recorde, margem menor
A Conab confirmou a maior safra de grãos da história do Brasil: 360,1 milhões de toneladas em 25/26, com a soja crescendo 5,3%. O número diz quanto o país colheu. Ele não diz quanto sobrou no bolso de cada produtor, por hectare.
Na base Aegro, o produtor de soja colheu 6,1% mais nessa safra. Só que o custo por hectare subiu 5,0% e o ponto de equilíbrio foi de 44,2 para 48,1 sacas por hectare, alta de 8,8%. Sobraram as mesmas 20,2 sacas por hectare do ciclo anterior, valendo menos: R$ 2.352 contra R$ 2.463, uma margem 4,5% menor em reais.
Colher mais não foi ganhar mais. Quem quer saber de que lado desse número está começa pelo custo por hectare da própria fazenda, que foi o que corroeu o resultado de 25/26. Os dados vêm de custo, ponto de equilíbrio e resultado por hectare registrados por produtores na Aegro.
Soja perde 30 pontos e o adubo vai para dois lados
A soja fechou a segunda-feira em queda firme em Chicago. O contrato de novembro terminou o dia em US$ 12,88 por bushel, 30,75 pontos abaixo da sexta, com os fundos realizando lucro depois de chegarem a uma posição comprada recorde, perto de 200 mil contratos. O gatilho foi o acordo do fim de semana entre China e Estados Unidos, que baixou tarifas de milho, trigo e sorgo americanos e deixou a soja em grão de fora. Do lado de cá, a demanda segue firme: até a terceira semana de setembro, o Brasil embarcou em média 365,4 mil toneladas de soja por dia, 8,7% acima de setembro de 2025. O dólar subiu 0,77% ontem, para R$ 5,22, e segurou parte da queda para quem vende em reais.
No adubo, os preços foram para lados opostos. O cloreto de potássio recuou quase 10% em nove semanas, enquanto a ureia acumula alta perto de 20% no mercado brasileiro. Quem ainda vai fechar nutrientes para a safrinha 2027 tem, neste momento, o potássio a favor e o nitrogênio contra.
Um ciclone extratropical começa a se formar nesta terça (29) entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul e empurra uma frente fria pelo Sul, pelo Sudeste e por parte do Centro-Oeste. A chuva pode passar de 200 mm entre Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com risco de granizo até quarta em oito estados, de Santa Catarina a Goiás. Goiás e o Distrito Federal seguem no calor seco, e o Piauí entrou em alerta para o plantio da soja 26/27. Falta chuva no Brasil Central e sobra no Sul, justo onde o trigo ainda espera a colheita.
A Nutrien confirmou nos últimos dias o fim do varejo agrícola em São Paulo e Mato Grosso do Sul, e fontes ligadas à empresa dizem que Goiás segue o mesmo caminho. Só em São Paulo eram oito lojas, de Franca a Avaré. Quem comprava insumo ali vai refazer a cotação com outro fornecedor, e é na troca de canal que o preço mais costuma variar.
Mês revisado fica trancado no Aegro
Depois de conferir os lançamentos de um mês, dá para fechar o período no Aegro com o Fechamento Financeiro. A partir daí, aquele intervalo fica travado contra alteração acidental.
Só um usuário com permissão de gerente consegue reabrir o período, e toda reabertura exige uma justificativa registrada. Fica claro quem mexeu, quando e por quê.
A trava vale só para a movimentação de caixa e bancos. Campo, estoque, colheita e manejos continuam liberados para registro, e o número que você levou para o contador ou para o banco continua o mesmo na semana seguinte.
A nota de devolução tem regra nova desde setembro
Desde 1º de setembro, as notas de devolução seguem uma regra nova de referenciamento, a VC02-14 da Nota Técnica 2025.002-RTC. Ela tem cronograma próprio, separado das mudanças que entraram na nota em agosto.
Quem devolve muito insumo para a revenda, por sobra ou troca de produto, é o primeiro a sentir. A nota de devolução precisa apontar a nota original do jeito que a regra nova pede.
Antes da próxima devolução, confira com o contador ou com o fornecedor do seu emissor se o sistema já está atualizado. Emissor desatualizado trava a devolução justo na hora da troca.
Destaques Soja e Milho
Soja
A soja de novembro fechou ontem em US$ 12,88 por bushel em Chicago, queda de 30,75 pontos no dia, com os fundos desmontando parte da posição comprada. No Brasil, o físico segurou melhor: ontem, Rondonópolis manteve R$ 151,00 a saca, Sorriso subiu 0,14%, para R$ 139,70, e o porto de Paranaguá seguiu em R$ 163,00 no disponível. A pressão apareceu no interior de Goiás e da Bahia, com Rio Verde a R$ 137,00 (-0,72%) e Luís Eduardo Magalhães a R$ 144,00 (-1,71%), e na safra nova em Santos, que caiu 3,87% ontem, para R$ 149,00 na entrega de fevereiro e março. O último indicador CEPEA/ESALQ de Paranaguá publicado, de sexta (25), segue em R$ 161,00 (-0,52%). Com o disponível acima de R$ 160 no porto e a safra nova abaixo de R$ 150, quem ainda não travou parte da 26/27 está olhando para a diferença entre vender agora e vender depois da colheita.
Milho
No milho, a B3 recuou 1,46% no novembro ontem, para R$ 74,42, e as exportações perderam ritmo em setembro. No físico, Sorriso pagou R$ 49,00, Campinas R$ 69,00 e Paranaguá R$ 73,00, com o CEPEA/ESALQ mais recente, de sexta, em R$ 69,65 (-0,23%).
Nesta semana, é o dólar acima de R$ 5,20 que segura a soja no porto enquanto Chicago cai. Se ele ceder, a queda lá de fora chega inteira ao físico.