China deixa a soja fora do acordo
O fim de semana mexeu com o mercado mesmo sem pregão. China e Estados Unidos fecharam um corte de tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias, com milho, trigo e farelo dentro e a soja em grão de fora, e Chicago reabriu a semana com a soja caindo mais de 20 pontos. No campo, o calor passou dos 40°C no Centro-Oeste desde sábado, bem na largada do plantio, e o Rio Grande do Sul passou o domingo sob granizo. E tem um defensivo que custou o dobro pra um vizinho do mesmo município.
Mesmo defensivo, mesmo CEP, o dobro do preço
Em Mato Grosso, dois vizinhos do mesmo município compraram o mesmo defensivo, o Hero, da FMC, no mesmo trimestre. Um pagou R$ 105 por litro. O outro, R$ 202.
São R$ 97 de diferença em cada litro, 92% a mais pagos pelo vizinho que comprou pior. No conjunto de 214 notas fiscais de Mato Grosso dos últimos seis meses, o preço desse produto variou 91,7%. Em mil litros de uso, a conta chega perto de R$ 100 mil numa única safra.
Marca, fabricante, janela e região eram as mesmas. O que separou os dois foi o canal de compra: fornecedores diferentes atendendo o mesmo CEP. Os números vêm de nota fiscal real de produtores da Aegro, no Panorama Safrinha de Milho 2026, e mostram que a próxima economia da lavoura pode estar na cotação, e não na troca de produto.
China tira a soja do acordo e o calor aperta o plantio
China e Estados Unidos anunciaram neste fim de semana um corte de tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias. Milho, trigo, sorgo, carnes, farelo e óleo de soja entraram na lista, mas a soja em grão americana segue com a tarifa adicional de 10%. Chicago sentiu na reabertura desta segunda: o contrato de novembro caiu 20,50 pontos no começo do dia, para US$ 12,98 por bushel. Com o grão americano ainda taxado, a soja brasileira continua na frente da fila chinesa, e quem ganha um concorrente a mais lá fora é o milho.
O Inmet manteve o alerta vermelho da onda de calor que começou no sábado: até quarta-feira (30), oito estados podem passar de 40°C, entre eles Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, São Paulo e Minas Gerais. O calor pega o plantio da soja com 4,39% da área semeada até a sexta, à frente dos 4,15% de um ano atrás e bem acima da média de 1,44% dos últimos cinco anos, segundo a Pátria AgroNegócios. A frente fria prevista a partir de quarta é o marco de quem segurou a plantadeira esperando o tempo virar.
No Sul, o domingo e esta segunda vieram com tempestade. O Rio Grande do Sul teve rajadas entre 90 e quase 120 km/h e granizo grosso em várias localidades, com estragos em telhados e lavouras, e o Paraná também registrou granizo. O maior risco segue no Oeste, na Campanha, no Centro e no Sul gaúchos, onde o trigo ainda está no campo.
Na pecuária, a reposição ficou mais cara. Em setembro, até o dia 22, o pecuarista precisou de 9,7 arrobas de boi gordo para comprar um bezerro em Mato Grosso do Sul, a pior relação de troca desde outubro de 2021, segundo o Cepea. O bezerro subiu mais que o boi em um ano, e quem vai repor lote no fim do ano já entra com margem menor na engorda.
O financeiro agora mora no Aegro Negócios
O módulo Financeiro saiu do Aegro Campo e passou a ficar no Aegro Negócios, o app de gestão do negócio da fazenda. Quem já usava não perdeu nada: os dados anteriores continuam lá, agora concentrados num lugar só.
No Aegro Negócios ficam as contas a pagar e a receber, os lançamentos financeiros e a emissão de NF-e, que é grátis e ilimitada. Dá até para lançar uma despesa tirando foto do recibo ou da nota, e a IA preenche fornecedor, valor e conta.
Na prática, quem cuida do caixa da fazenda abre um app só e encontra ali tudo o que é financeiro, sem misturar com os registros da lavoura.
O prazo do crédito de 2027 vence nesta quarta
A lei dá até o fim de setembro, ou seja, até quarta-feira (30), para o Ministério da Fazenda e o Comitê Gestor do IBS publicarem o ato conjunto com os percentuais de crédito presumido do produtor rural não contribuinte para 2027. Até esta segunda, o número ainda não tinha saído.
Esse crédito é o que o comprador da sua safra aproveita quando compra de quem está fora do regime. Por isso ele mexe no quanto indústria, trading e cooperativa topam pagar pela sua produção.
Quando o ato sair, leve o número para o seu contador e façam juntos a conta de entrar ou não no regime. A resposta muda de fazenda para fazenda.
Destaques Soja e Milho
Soja
O acordo entre China e Estados Unidos deixou a soja americana fora do corte de tarifas, e Chicago reagiu nesta segunda com o novembro caindo 20,50 pontos, para US$ 12,98 por bushel. Por aqui, a referência é o último fechamento, na sexta: o CEPEA/ESALQ de Paranaguá ficou em R$ 161,00 a saca (-0,52%), com Rondonópolis a R$ 151,00, Castro a R$ 149,00 e Sorriso a R$ 139,50. Mesmo com o recuo da sexta, o Paraná chegou a 24 de setembro com média de R$ 153,74 no mês, o maior preço em mais de três anos, segundo o Cepea.
Milho
No milho, o acordo joga no sentido contrário: o grão americano entrou na lista de tarifas reduzidas, e a China ganha mais uma origem para comprar. O CEPEA/ESALQ fechou a sexta em R$ 69,65 a saca (-0,23%), com Paranaguá a R$ 73,00, Castro a R$ 65,00 (-1,52%) e Sorriso a R$ 49,60 (-0,80%).
Na soja, o prêmio pago no porto brasileiro é o que vai dizer, nesta semana, se a queda de Chicago chega ao físico. No milho, os R$ 23,40 por saca entre Sorriso e Paranaguá deixam o frete como a conta que decide a próxima venda.