Trigo dispara e puxa os grãos
O fim de semana passou e a semana do agro reabre agitada. Na sexta, a soja fechou a R$ 155,18 a saca no indicador CEPEA/ESALQ e o milho a R$ 69,29, os dois no azul. Lá fora, a China voltou a mexer com o mercado ao comprar 12% menos soja dos Estados Unidos em agosto, e a cúpula entre Xi Jinping e Trump, marcada para quinta-feira, deixa a mesa posta para a próxima rodada de negócio. Por aqui, o trigo é quem sai na frente hoje, com uma alta que já reacende a conversa de venda para quem tem cereal guardado.
R$ 884 mil de diferença na mesma safra, só na hora de comprar
Entre quem comprou bem e quem comprou mal o mesmo pacote de insumos da safrinha de milho, a diferença chega a R$ 884 mil em uma única safra de 1.000 hectares. Não é produto diferente, nem safra diferente, nem região diferente: é a mesma lista de insumos, no mesmo trimestre, na mesma macrorregião. O que muda é só quem comprou e como comprou.
Quem comprou bem fechou o pacote a R$ 1.483 por hectare. O comprador médio pagou R$ 1.900. E quem comprou mal chegou a R$ 2.367 por hectare, 60% acima do menor preço. O dado sai de nota fiscal real cruzada com as doses típicas da safrinha 2026, não de projeção nem de pesquisa de campo.
Com o milho a R$ 52,40 a saca em Sorriso, esses R$ 884 por hectare equivalem a quase 17 sacas perdidas antes de a plantadeira sair do barracão, cerca de 16% da produtividade base. Quem fica na faixa do "comprou mal" costuma ter um fornecedor único e fecha em uma cotação só. Colocar o preço de nota fiscal de cada insumo lado a lado no Compare Preços da Aegro mostra em qual faixa a sua compra caiu e quanto ainda dá para recuperar na próxima.
Grãos voltam em alta, trigo puxa e a China entra na conversa
A semana reabriu agitada no exterior. Nesta segunda, Chicago voltou com força e a soja para novembro subiu para US$ 1.312,75 o bushel, acompanhando altas fortes de milho e trigo. O trigo é quem mais chama atenção: a alta reacendeu o sinal de venda para quem ainda tem cereal em estoque. O milho também virou o jogo e subiu na maior parte das praças, recuando só em São Paulo. Quem segurou grão no fim de semana reabre a semana com mais espaço para negociar.
A China voltou ao centro do tabuleiro. As importações chinesas de soja dos Estados Unidos caíram 12% em agosto, e a cúpula entre Xi Jinping e Donald Trump, marcada para quinta-feira, chega com o motor comercial chinês a todo vapor. Cada semana que a China compra menos dos americanos é uma semana em que a soja brasileira tem mais fila para atender.
No crédito, o governo anunciou R$ 4 bilhões em taxas subsidiadas para o setor de fertilizantes. A medida mira o custo do insumo que mais pesa na conta da próxima safra. Produtor que ainda vai fechar adubação ganha um motivo a mais para comparar preço antes de assinar o pedido.
No Sul, o fim de semana veio com alerta de perigo para tempestades, e o trigo do Rio Grande do Sul entra a semana sob risco de geada, granizo e doença. Lavoura em fase final de ciclo é a que mais sente esse tipo de virada de tempo.
O emissor de NF-e do Aegro já fala a língua da reforma
Com a Reforma Tributária em transição, cada nota precisa nascer no formato novo. O emissor de NF-e do Aegro já aplica as alíquotas específicas, as bases de cálculo reduzidas e as isenções previstas para o agro, sem você precisar configurar nada à mão.
Mais do que emitir, ele estrutura a nota para a apuração correta do crédito. É esse crédito que o comprador da sua safra aproveita, então uma nota bem montada hoje evita perda de valor lá na frente.
Na prática, você emite normal e o sistema cuida da parte fiscal que mudou. Enquanto muita gente ainda tenta entender a reforma no detalhe, quem usa o Aegro já emite dentro das regras novas.
Setembro é o mês que define seu crédito de 2027
Ainda neste mês deve sair o ato conjunto do Ministério da Fazenda com o Comitê Gestor do IBS que fixa os percentuais de crédito presumido do produtor rural não contribuinte para 2027.
Esse crédito presumido é o que o comprador da sua safra aproveita quando compra de quem está fora do regime. Ou seja, ele influencia o quanto a indústria, a trading ou a cooperativa topam pagar pela sua produção.
Quando o número for publicado, leve para o seu contador e decida com ele se compensa entrar no regime ou seguir como não contribuinte. É uma conta que muda de fazenda para fazenda.
Destaques Soja e Milho
Soja
A soja fechou a sexta a R$ 155,18 a saca no CEPEA/ESALQ do Paraná, com alta de 0,15%, e o físico veio mais forte no interior: Rio do Sul pagou R$ 143,00 (+2,14%), Tangará da Serra R$ 143,00 e Sorriso R$ 138,70. O pano de fundo é a China comprando menos dos Estados Unidos, 12% a menos em agosto, com a cúpula entre Xi Jinping e Trump na quinta-feira podendo redesenhar o fluxo. Chicago reabriu a semana em alta, reforçando o tom. Comparar o prêmio do físico do interior com o do porto antes de fechar frete na semana da cúpula é o que separa quem trava um bom preço de quem corre atrás depois.
Milho
O indicador CEPEA/ESALQ do milho fechou a sexta a R$ 69,29 a saca, com leve alta de 0,06%. No físico, Paranaguá pagou R$ 73,00, Santos R$ 70,00 para setembro e outubro e Campinas R$ 69,00. No fim de semana o grão ganhou fôlego e voltou a subir na maior parte das praças, recuando só em São Paulo. Quem segurou milho reabre a semana com a janela de negociação de novo aberta.
A semana reabre com os dois grãos no azul e o exterior mandando no tom. Quem chega a hoje com grão em estoque encontra mais espaço de negociação do que tinha na sexta, e o spread entre porto e interior é a conta que define se o frete fecha agora ou espera.