Rebanho encolhe, carne deve subir
A quarta fechou com a pecuária mudando de fase: a oferta de gado deve encolher e isso já aponta pra um preço da carne mais sustentado lá na frente. A soja seguiu rendendo bem nos portos, mas o ritmo com a safra nova esfriou dentro do Brasil. O milho disparou lá fora, no mercado futuro americano, sem o físico brasileiro acompanhar no mesmo tom, e o café perdeu força em Nova York.
O mesmo preço do milho, duas decisões opostas
A oferta da safrinha vem pressionando o preço do milho para baixo, e isso pesa direto no bolso de quem vende o grão. Só que o mesmo número, olhado do outro lado da porteira, conta uma história diferente.
Quem trabalha com pecuária enxerga nesse milho mais barato uma oportunidade, justo na hora em que a ureia está nas alturas. Para comprar uma tonelada de ureia, o pecuarista entregava entre 14 e 17 arrobas de boi em 2025. Hoje são entre 16 e 20. Quem já travou a compra do milho na baixa recente garante ração mais em conta do que quem ainda vai decidir.
Os dois lados olham para o mesmo preço e decidem o contrário. Quem enxerga essa relação de troca com clareza decide no dado, não no escuro, e sai na frente tanto vendendo o grão quanto comprando a ração.
Pecuária muda de fase e milho dispara em Chicago
A pecuária começou a virar de fase ontem. A Conab projetou queda de 4,1% no rebanho e de 3,6% na produção de carne bovina para 2027, puxada pela menor oferta de fêmeas para abate. O Bradesco BBI reforçou a leitura: a queda no abate de fêmeas já sinaliza tempos mais difíceis para os frigoríficos, e mais fôlego pra quem segura o boi em confinamento. Quem trabalha com pecuária de ciclo longo ganha um motivo a mais pra travar a reposição antes que o aperto na oferta pese ainda mais no preço.
A soja seguiu rendendo acima de R$ 165 por saca nos portos brasileiros ontem, mas o ritmo de negócios com a safra nova esfriou no interior, girando entre R$ 150 e R$ 160. Chicago também perdeu força no pregão. Produtor com soja disponível para entrega imediata ainda encontra prêmio melhor negociando pro porto do que esperando a safra nova ganhar tração.
Lá fora, o milho disparou: o contrato de dezembro na bolsa de Chicago subiu 7,88% ontem, a US$ 5,34 o bushel. O físico brasileiro não acompanhou o mesmo ritmo e seguiu andando bem mais devagar por aqui. Quem exporta sente o benefício direto do dólar somado à bolsa em alta, enquanto o mercado interno segue no próprio calendário.
O café arábica recuou mais de 1% em Nova York ontem, com o Brasil aumentando a oferta e pressionando o preço para baixo. Mas os estoques seguem apertados, e é isso que preocupa quem depende do grão pra torra na reta final do ano. Produtor que ainda tem café pra vender pode aproveitar essa janela antes que a oferta brasileira normalize de vez o mercado.
Armadilha exclusiva contra o bicudo do algodão
O bicudo-do-algodoeiro é uma das pragas mais destrutivas da cultura, capaz de destruir entre 70% e 100% da produção quando a infestação não é controlada a tempo.
O Aegro tem um recurso exclusivo de armadilhas pra monitorar essa praga especificamente, o que permite acompanhar a evolução da infestação talhão por talhão, sem depender só da inspeção visual solta na lavoura.
Com o dado registrado, dá pra decidir o momento certo de aplicar o controle, antes que a praga avance além do que a lavoura aguenta sem perder produtividade.
Setembro mudou a regra da nota de devolução
Desde 1º de setembro vale a regra de referenciamento exclusivo nas notas de devolução, o VC02-14 da NT 2025.002-RTC. Tem cronograma próprio, separado do que valeu em agosto.
Quem trabalha com muita troca e devolução de insumo precisa do emissor já atualizado pra essa regra, senão a nota de devolução sai travada.
Vale conferir com quem emite a nota fiscal da fazenda se o sistema já está adaptado a essa mudança.
Destaques Soja e Milho
Soja
O preço lá fora segue dando sustentação: a soja negociou acima de R$ 165 por saca nos portos brasileiros ontem, mas o ritmo com a safra nova esfriou no interior, entre R$ 150 e R$ 160. O CEPEA/ESALQ fechou a R$ 153,59 a saca, alta de 0,45%. No físico de hoje, Não-Me-Toque (RS) pagou R$ 140,00, Ubiratã (PR) R$ 139,00 e Pato Branco (PR) R$ 141,50. Quem tem grão pronto pra entregar ainda encontra a melhor margem negociando direto pro porto, antes que esse ritmo mais fraco domine também essa ponta.
Milho
O mesmo descolamento apareceu no milho: o contrato de dezembro disparou 7,88% em Chicago ontem, a US$ 5,34 o bushel, mas o físico brasileiro nem sentiu o mesmo impulso. O CEPEA/ESALQ recuou 0,17%, a R$ 69,39 a saca. No físico de hoje, Castro (PR) subiu 1,56% para R$ 65,00, Sorriso (MT) avançou 1,01% para R$ 50,00 e Nonoai (RS) ficou estável em R$ 61,00. Quem exporta sente o benefício do dólar somado à bolsa em alta, mas quem vende no mercado interno segue no próprio ritmo, sem puxão de preço.
Esse milho que não acompanha a euforia de Chicago é a mesma munição barata que a pecuária já está aproveitando agora. Quem trava a compra do grão pra ração enquanto o físico segue devagar sai na frente do ciclo que já começou a virar.