Soja bate melhor preço em 4 anos
A terça-feira fechou com o pregão internacional em festa. Soja e milho abriram setembro em máximas de vários anos, puxados por Chicago, e o físico brasileiro já sentiu o reflexo nos portos. O governo também liberou uma linha de R$ 4 bilhões em crédito mais barato para fertilizante, bem na reta final de decisão de compra pra próxima safra. E o Inmet ligou o alerta pra tempestade em três estados. Cotações completas logo abaixo, e um dado sobre até onde dá pra esticar a margem também vale a leitura.
Fabricante único, mesmo assim R$ 21 mil de diferença
O Engeo Pleno S é um caso raro no mercado de defensivo: só existe um fabricante. Não tem genérico, não tem marca concorrente mais barata pra comparar do lado. Ainda assim, o valor pago por esse mesmo produto varia forte entre quem compra bem e quem compra mal.
Na safra 25/26, o custo por hectare ficou entre R$ 28,15 na ponta mais barata e R$ 49,50 na mais cara, uma diferença de 75,8% dentro do mesmo rótulo, do mesmo fabricante. Numa fazenda de 1.000 hectares, isso equivale a R$ 21,35 mil a mais só nessa aplicação.
Sem concorrência de marca no meio, a explicação não está na etiqueta. Está em quando e como a compra foi negociada. É exatamente esse tipo de diferença que passa despercebido quando ninguém confere o preço pago pelo vizinho.
Grãos disparam em Chicago, e o crédito de insumo fica mais barato
Setembro começou com o pregão internacional em festa. O milho fechou agosto com o melhor mês desde 1973 para o contrato de dezembro em Chicago, abrindo o mês na máxima dos últimos três anos. A soja seguiu na mesma direção e passou de US$ 13 o bushel, o melhor patamar em quatro anos. No Brasil, o reflexo já apareceu no físico nesta terça: os portos de Rio Grande e Paranaguá pagaram mais de R$ 160 pela saca de soja. Quem tem grão pra vender no curto prazo está numa janela de preço que não aparece com frequência.
O governo anunciou uma linha de R$ 4 bilhões em crédito com taxa subsidiada pra compra de fertilizante, segundo o ministro Alckmin. É insumo pesando menos no bolso justamente na reta final de decisão de compra pra próxima safra. Quem ainda não fechou o pacote de adubo ganha argumento a mais pra negociar prazo em vez de pagar à vista.
O Inmet colocou São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro em alerta laranja pra tempestade, dentro de um padrão de El Niño classificado como muito forte: mais chuva no Sul, mais seca no Norte e no Centro-Oeste. Produtor dessas três regiões tem motivo pra rever a logística de colheita e escoamento antes que o temporal chegue.
Do lado do crédito, as recuperações judiciais no agro bateram recorde, reflexo direto de uma inadimplência que segue em nível histórico no setor. Quem está negociando prazo com fornecedor ou banco tem um argumento concreto pra sentar e renegociar: o cenário do setor sustenta o pedido.
De 22% pra até 42% de margem, na mesma fazenda
Fernando Trindade toca a Agro Ivers, em Goiás. Antes de organizar a gestão pelo Aegro, a margem da fazenda rodava perto de 22%. Hoje varia entre 38% e 42%, dependendo da safra.
Em reais, a diferença é grande: R$ 3 a 4 milhões a mais por ano, sem aumentar a área plantada nem a produção.
O caminho foi enxergar o custo real por hectare e por safra, não só o total fechado no fim do ano. Quando você sabe exatamente onde o dinheiro sai, fica mais fácil decidir onde cortar e onde manter.
Por que considerar entrar no regime mesmo sem ser obrigado
Mesmo faturando abaixo de R$ 3,6 milhões, vale conversar com o contador sobre entrar no regime do IBS e da CBS.
Quem compra a sua produção prefere fornecedor contribuinte, porque o crédito que recebe é integral.
Não contribuinte gera só crédito presumido, que costuma ser menor.
Indústria, trading e cooperativa podem dar preferência pra quem já está dentro do regime.
Destaques Soja e Milho
Soja
O Cepea/Esalq fechou a segunda-feira em R$ 159,44 a saca, recuo de 0,20%. Mas o físico já correu na frente: Porto Rio Grande pagou R$ 163,00 (+2,52%), Paranaguá R$ 162,00 (+1,25%) e Santos R$ 158,00 (+1,94%) nesta terça. O gatilho foi Chicago passando de US$ 13 o bushel, o melhor patamar em quatro anos. Quem tem soja pra entregar no curto prazo está vendo o porto pagar mais rápido do que o indicador oficial consegue acompanhar.
Milho
O indicador fechou a R$ 70,23 a saca, alta de 1,04%. No físico, Campinas e Paranaguá pagaram R$ 73,00, com ganho de 2,82% na sessão. Chicago também empurrou o milho: agosto foi o melhor mês desde 1973 pro contrato de dezembro, e setembro já abre na máxima dos últimos três anos. O spread entre porto e interior segue largo, R$ 73,00 contra R$ 62,00 nas praças do Centro-Oeste, e quem está perto do porto capta o prêmio primeiro.
Os dois grãos estão respondendo ao mesmo gatilho externo, e isso muda a conversa da semana: negociar prazo de venda virou tão importante quanto negociar preço de insumo, o mesmo raciocínio que separa quem paga R$ 28 de quem paga R$ 49 pelo mesmo defensivo.